O paradoxo do tratado constitucional europeu: entre o planejamento e a evolução da Europa comunitária
DOI:
https://doi.org/10.5380/rinc.v4i2.48093Keywords:
Europa, tratado constitucional, paradoxo, referendo, planejamento.Abstract
A introdução da tentativa de um Tratado Constitucional Europeu no sistema do Direito coloca em xeque duas das mais enraizadas instituições jurídicas do Ocidente: as Constituições e os Tratados, já que ambas partem, desde o ponto de vista da doutrina tradicional, de pressupostos conceituais diferenciados. O paradoxo está ligado às condições de evolução e de planificação do sistema social global. Com isso, o presente artigo busca analisar o modo pelo qual os dois modelos de diplomas legais – amplamente utilizados na sociedade global – passaram a receber um sentido diverso em função da co-evolução citada. Para tanto, analisa os dois institutos a partir de um ângulo relacionado à possibilidade de planejamento e de controle da evolução de determinada sociedade, no caso específico a Comunidade Europeia, em que tanto o referendo quanto a aprovação parlamentar demonstraram-se ineficazes para a necessidade de se compreender o sentido de uma nova conformação jurídica. A metodologia utilizada está alicerçada repousa no funcionalismo estrutural de Niklas Luhmann na vertente autopoiética de sua teoria dos sistemas sociais autopoiéticos. Para essa linha, o referendo é, pois, um mecanismo de auto-referência do sistema jurídico. Os resultados vertidos nas urnas europeias mostra esse paradoxo, deixando exposta a dúvida sobre a necessidade de planejamento do espaço comunitário ou a evolução a partir das suas próprias características. Este último conceito é o que explica tal fracasso, diante da complexidade das estruturas de uma sociedade transfronteiriça por excelência como a europeia.
References
ARNAUD, André-Jean. Governar sem Fronteiras. Entre Globalização e Pós-Globalização. Crítica da Razão Jurídica. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007.
BÚRCA. Gráinne de. Reflections on the EU’s Path from the Constitutional Treaty to the Lisbon Treaty. Fordham Law Research Paper, New York, jun. 2008. Disponível em <http://ssrn.com/abstract=1124586>. Acesso em 25 ago. 2012.
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Constituição Dirigente e Vinculação do Legislador. Contributo para a Compreensão das Normas Constitucionais Programáticas. 2 ed. Coimbra: Coimbra Editora, 2001.
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 2002
CERDÓN, Antonio Bar. El Tratado de Lisboa y la reforma constitucional de la Unión Europea. Cuadernos constitucionales de la Cátedra Fadrique Furió Ceriol, Valencia, n. 60-61, p. 183-220. Disponível em <http://dialnet.unirioja.es/servlet/fichero_articulo?codigo=3163790&orden=0>. Acesso em 16 ago. 2012.
FERRAJOLI, Luigi. A Soberania no Mundo Moderno: Nascimento e crise do Estado Nacional. Trad. Carlo Coccioli e Márcio Lauria Filho. São Paulo: Martins Fabris, 2002.
HABERMAS, Jürgen A Constelação Pós-Nacional. Ensaios Políticos. Trad. de Márcio Seligmann Silva. São Paulo: Littera Mundi, 2001.
KEDAR, Nir. The Political Origins of the Modern Legal Paradoxes. In: PEREZ, Oren; TEUBNER; Gunther (Eds.). Paradoxes and Inconsistencies in the Law. Oxford and Portland: Hart Publishing, 2005.
KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
LASSALE, Ferdinand. O Que é uma Constituição. Campinas: Russel, 2007.
LUHMANN, Niklas. A Restituição do Décimo Segundo Camelo: Do Sentido de uma Análise Sociológica do Direito. In: ARNAUD, André-Jean; LOPES JR., Dalmir Lopes (Orgs.). Niklas Luhmann: Do Sistema Social à Sociologia Jurídica. Rio de Janeiro: Lumen Juris: 2004.
LUHMANN, Niklas. La Sociedad de la Sociedad. México: Herder M.X., 2007.
LUHMANN, Niklas. The World Society as a Social System. In: LUHMANN, Niklas. Essays on Self-Reference. New York/Oxford: Columbia University Press, 1990.
MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Curso de Direito Internacional Público. 3 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008.
NEVES, Marcelo. De la Autopoiesis a la Alopoiesis del Derecho. Doxa, Alicante, n. 19, p. 403-420, 1996.
OPPERMAN, Thomas. Do Tratado de Nice de 2001 à Convenção para a Constituição Europeia 2002/2003: Rumo a uma Ordem Constitucional na Europa? Revista Brasileira de Direito Constitucional, São Paulo, n. 10, p. 161-182, jul./dez. 2007. Disponível em: <http://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-10/RBDC-10-161-Thomas_Oppermann_Traducao_de_Fabricio_Pasquot_Polido.pdf>. Acesso em 10 ago. 2012.
OST, François. O Tempo do Direito. Lisboa: Piaget, 1999.
PRIBÁN, Jirí. The Time of the Constitution-Making. On the Differentiation of the Legal, Political and Moral Systems and Temporality of Constitutional Symbolism. Ratio Juris, Colombia, vol. 19, n. 4, p. 456-478, dec. 2006.
REZEK. Francisco. Direito Internacional Público. Curso Elementar. 10 ed. São Paulo: Saraiva, 2006.
ROCHA, Leonel Severo Rocha. As Três Matrizes do Pensamento Jurídico. In:___; CLAM. J.; SCHWARTZ, G (Orgs.). Introdução à Teoria do Sistema Autopoiético do Direito. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005.
SCHWARTZ, Germano. A Autopoiese dos Direitos Fundamentais. In: MACEDO, E.H.; OHLWEILER, L; STEINMETZ, W. (Orgs). Direitos Fundamentais. Canoas: Editora da Ulbra, 2007.
SIEYÈS, Emmanuel Joseph. A Constituinte Burguesa. Qu’est-ce que le Tiers Etat? Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001.
VENTURA, Deisy. Crítica al Proyecto de Constitución Europea (“Constitución Parcial”): La Convención como modesto laboratorio del constitucionalismo supranacional. Revista de Derecho Privado y Comunitario, Santa Fe, v. 3, n. 1, p. 595-613, 2003.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Authors who publish in this Journal agree to the following terms:
- Authors retain copyright and grant the Journal of Constitutional Research the right of first publication with the article simultaneously licensed under the Creative Commons - Attribution 4.0 International which allows sharing the work with recognition of the authors and its initial publication in this Journal.
- Authors are able to take on additional contracts separately, for non-exclusive distribution of the version of the paper published in this Journal (eg.: publishing in institutional repository or as a book), with a recognition of its initial publication in this Journal.
- Authors are allowed and encouraged to publish their work online (eg.: in institutional repositories or on their personal website) at any point before or during the submission process, as it can lead to productive exchanges, as well as increase the impact and the citation of the published work (see the Effect of Open Access).




















