Edições anteriores
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Revista Letras nº 110
v. 110 (2024) -
Dossiê Temático: "A Tradução ex-cêntrica"
v. 109 n. 1 (2024)Boa parte das discussões teóricas mais relevantes que embasaram e embasam os estudos da tradução literária provém de culturas (e idiomas) que constituem o centro”da dita República Mundial das Letras, por mais que esse centro tenha se movido, é claro, ao longo do tempo: da Roma Imperial à França das Belles Infidèles, à Alemanha de Schleiermacher e aos Estados Unidos de Lawrence Venuti. Nos tempos atuais, contudo, essa centralização vem sendo mais relativizada, na mesma medida em que até os focos de interesse mais “hegemônicos” apontam para temas e abordagens que não apenas se desligam da ideia de “centro” mas ativamente questionam sua estabilidade: os estudos decoloniais, os estudos de gênero e mesmo a ecocrítica, que podem traduzir “éticas” e “teorias” da tradução que respondam a uma realidade que também se altera em termos de “mercado”, já que as culturas e idiomas centrais” há muito deixaram de ser os locais onde se produz mais tradução literária, e há muito deixaram também de ser os locais onde se consome mais tradução literária.
Diante dessa situação, este número da Revista Letras estará aberto a reflexões sobre a tradução literária “ex cêntrica”, que parte do centro (língua fonte) para a periferia (língua alvo), ou questiona ativamente as hierarquias tradicionais (patriarcais e coloniais), seja na seleção das obras traduzidas, nas estratégias efetivas de tradução, ou na inauguração de uma nova visada teórica. Da mesma maneira, aceitaremos reflexões sobre a tradução entre línguas, culturas e momentos não-hegemônicos (sul-sul, ou periferia-periferia).
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DOSSIÊ II WFHL
v. 108 (2023)Este número da Revista Letras traz artigos derivados de trabalhos apresentados no II Workshop de Filosofia e Historiografia da Linguística, realizado na UFPR de 10 a 12 de novembro de 2021. -
Palavras em fúria - Parte II
v. 107 n. 1 (2023)Palavras em Fúria: imagens de resistência e rebeldia femininas na literatura dos séculos XX e XXI - Parte II
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Palavras em fúria - Parte I
v. 106 n. 1 (2022)Palavras em Fúria: imagens de resistência e rebeldia femininas na literatura dos séculos XX e XXI - Parte I -
v. 105 n. 1 (2022)
Seção I: Diálogos Internacionais Sobre a Formação Inicial e Continuada de Professores de Línguas
Seção II: X SEAD: Luta de classes, gênero e raça
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v. 103 n. 1 (2021)
Trata-se de um conjunto de textos selecionados das apresentações feitas no V Colóquio Brasileiro de Morfologia, realizado em Curitiba, no formato online, nos dias 5 e 6 de novembro de 2020. -
Número Temático - XII Workshop on Formal Linguistics
v. 99 (2019)Número especial com artigos apresentados no XII Workshop on Formal Linguistics, na UFPR, em novembro de 2018. -
As muitas coisas de Clarice Lispector
v. 98 (2018) -
Número temático: Retórica e alteridade
v. 97 (2018) -
v. 96 (2017)
Linguística Formal - número editado por Patrícia Rodrigues, Roberta Pires de Oliveira, Ana Paula Quadros Gomes e Maria José Foltran -
v. 95 (2017)
Tempo e tradução: número organizado por Mauricio Mendonça Cardozo e Viviane Veras -
Dossiê Temático Mente e Narrativa
v. 111 n. 1 (2025)Organizadores: Leonardo Ferreira Almada (UFU) . Pedro Dolabela Chagas (UFPR)
Ao final do primeiro quarto do século XXI, vemos que o termo “narrativa” tem sido cada vez mais integrado à descrição e à explicação de fenômenos diversos, desde fenômenos psicológicos até sociológicos, filosóficos e históricos; as narrativas organizam a experiência humana e como são usadas para explicar e dar sentido a fenômenos diversos. Na produção acadêmica recente, Robert Shiller (2019), por exemplo, argumenta que as estórias que contamos uns aos outros sobre a economia e o papel que nela desempenhamos geram resultados de larga escala, sugerindo que mitos e narrativas populares, ao veicularem ideias e crenças capazes de influenciar eventos, instituições, políticas e concepções da realidade, devam ocupar um lugar central na análise econômica. Antes dele, ao argumentar que o juízo moral determina o self e a socialização humana, Christian Smith (2003) defendera que essa condição nos torna excelentes contadores de estórias, como instrumento de disseminação de valores morais capazes de estruturar a vida coletiva. Mais tarde, Jonathan Haidt (2012) proporia, a partir de pressuposições semelhantes sobre o papel fundamental da moralidade na estruturação da vida social humana, que certas narrativas dão fundamento a discursos de legitimação de campos políticos colocados em oposição na modernidade. Enquanto isso, narrativas recebiam saliência nas ciências da natureza, com Richard Dawkins (2009) indicando a condição narrativa de explicações evolutivas, Marcelo Gleiser (1998) propondo um abordagem narrativa da história do universo e das teorias astronômicas, Ilya Prigogine (1996) defendo a irreversibilidade do tempo – a articulação temporal dos processos – como inerente aos fenômenos físicos, que assim adquiriam historicidade.
Partindo desse quadro geral, esta chamada da Revista Letras convidou a comunidade acadêmica a trabalhar a interface entre a narratividade e a mente humana, dentro do amplo espectro de possibilidades que ela oferece. Foram bem-vindas contribuições que tratassem a narrativa como produto – texto, fala, filme, relato… – ou como processo – compreendendo a narrativização como um modo específico de estruturação da informação. Estimulamos abordagens mentalistas do fenômeno narrativo, entre a neurociência, a psicologia cognitiva, a filosofia da mente, a pragmática linguística, e as teorias da evolução cultural humana, entre outros campos possíveis da produção intelectual. Foi um convite para energizar a transdisciplinaridade que costuma caracterizar a discussão sobre o tema proposto.

