Oficina de aconselhamento como instrumento de prática da política nacional de humanização do SUS: relato de experiência
DOI:
https://doi.org/10.5380/ef.v0i33.93806Keywords:
Treinamento Acadêmico, Capacitação Profissional, Relação Médico-PacienteAbstract
A aplicação prática da Política Nacional de Humanização do SUS passa pela formação dos médicos. Enquanto, no passado, o médico era visto como o detentor único do conhecimento da área, atualmente, há um compartilhamento desse conhecimento entre médico e paciente. Uma boa relação médico-paciente auxilia na melhora da adesão ao tratamento, em melhores desfechos clínicos e no aumento da satisfação do assistido. Nesse sentido, segue-se um relato de experiência sobre uma oficina de técnicas de aconselhamento, realizada com graduandos do terceiro semestre do Curso de Medicina da Universidade Federal de Rondonópolis. A atividade baseou-se em simulações de atendimentos a situações clínicas hipotéticas, com alunos interpretando o papel de médicos, pacientes e avaliadores. Durante a oficina, os “médicos” fizeram perguntas abertas, possibilitando ao paciente a chance da oratória, sem ser induzido a respostas. Ademais, ponto importante foi a devolução da fala dos pacientes – o que permitiu ao “paciente” ampliar sua fala e apontar seus pontos de vista sobre seu adoecimento. A demonstração de empatia ocorreu durante todo o processo. Os alunos que simularam os médicos relataram dificuldades em transitar entre termos técnicos e uma linguagem simples, pois estudam termos densamente técnicos. Porém, reconheceram a importância e as dificuldades em realizar um atendimento humanizado. Verificou-se, assim, que a metodologia do aconselhamento promove um atendimento melhor, mais humanizado e empático, bem como uma conduta baseada na demanda momentânea do paciente, com todas as interfaces de sua vida pessoal relatadas de maneira ativa.
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