Quem é negra, quem é branca, quem fala, quem pode falar: etnografia de mulheres negras em uma turma de formação de docentes
DOI:
https://doi.org/10.5380/cra.v22i2.74150Keywords:
etnografia escolar, identidades, mulheres negras, formação docente, pigmentocraciaAbstract
Este artigo propõe uma reflexão acerca de etnografia realizada entre 2018 e 2019 em uma turma de formação de docentes de uma escola pública de Curitiba (PR). A pesquisa teve como objetivo compreender como jovens autodeclaradas negras, futuras professoras, articulavam suas identidades naquele espaço escolar. Entendemos identidades enquanto construções sociais, realizadas mediante a diferença e envolvendo disputas de legitimidade. A perspectiva que orienta a etnografia é a decolonialidade do poder-saber. No texto, é discutida a realização do trabalho etnográfico na escola, pensando os elementos que foram decisivos na aproximação com as interlocutoras. Também são debatidas as potencialidades e especificidades da etnografia na educação. Como resultado, foi possível depreender as estratégias de legitimação da identidade racial na escola; as disputas pigmentocráticas; a percepção de desconfiança e aceitação da presença da pesquisadora em campo e as reações dela provenientes, bem como a centralidade da identidade de raça/cor nesse processo.
References
André, M. (1995). Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus Editora.
Arroyo, M. (2015). Os Movimentos Sociais e a construção de outros currículos. Educar em Revista, 55, 47-68. https://doi.org/10.1590/0104-4060.39832
Bento, M. A. S. (2002). Branqueamento e branquitude no Brasil. In: M. A. S. Bento et al. Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil (pp. 5-58). Petrópolis: Vozes.
Cavalleiro, E. (2006). Relações raciais no cotidiano escolar: implicações para a subjetividade e a afetividade. In: A. P. Brandão (org). Saberes e fazeres: modos de ver (pp. 82-95). Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho.
Cipiniuk, T. (2013). Investimentos na superação da condição social analfabeto: percursos escolarizados em temporalidade tardia (Tese de Doutorado). Universidade Federal Fluminense, Niterói.
Clifford, J. (2002). A experiência etnográfica: antropologia e literatura no século XX. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.
Crenshaw, K. (2004). A intersecionalidade na discriminação de raça e gênero. In: VV. AA. (org). Cruzamento: raça e gênero (pp. 7-16). Brasília: Unifem.
Duschatzky, S., & Skliar, C. (2000). Os Nomes dos Outros. Reflexões sobre os Usos Escolares da Diversidade. Educação & Realidade, 25(2), 163-177.
Gomes, N. (2002). Educação e Identidade Negra. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, 9, 38-47. https://doi.org/10.17851/2317-2096
Gomes, N. (2003). Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo. Educação e Pesquisa, 29(1), 167-182. https://doi.org/10.1590/S1517-97022003000100012
Gomes, N. (2007). Indagações sobre currículo: diversidade e currículo. Brasília: Ministério da Educação.
Gomes, N. (2008). O processo de rejeição/aceitação/ressignificação do corpo e do cabelo. In: N. L. Gomes. Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra (pp. 117-147). Belo Horizonte: Autêntica.
Hall, S. (2006). A identidade cultural na pós-modernidade. 11 ed. Rio de Janeiro: DP&A Editora.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2011). Censo Demográfico 2010: Características da população e dos domicílios. Rio de Janeiro: IBGE.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. (2019). Sinopse Estatística da Educação Básica 2018. Brasília: Inep.
Lima, Alef. (2018). “Onde há uma vontade, há um caminho”: uma etnografia da escolarização tardia na EJA do Colégio de Aplicação/UFRGS (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Louro, G. (1997). Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 2 ed. Petrópolis: Vozes.
Munanga, K. (2003). Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. In: 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação – PENESB. Anais... Rio de Janeiro, 2003. Disponível em: .
Munanga, K. (2012). Negritude e identidade negra ou afrodescendente: um racismo ao avesso? Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), 4(8), 06-14.
Nogueira, O. (2007). Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. Tempo social, 19(1), 287-308. https://doi.org/10.1590/S0103-20702007000100015
Peirano, M. (2014). Etnografia não é método. Horizontes antropológicos, 42, 377-391. https://doi.org/10.1590/198053142856
Pereira, A. (2010). “A maior zoeira”: experiências juvenis na periferia de São Paulo (Tese de Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo.
Pinto, R. (1993). Movimento negro e educação do negro: a ênfase na identidade. Cadernos de Pesquisa, 86, 25-38.
Puentes, J. (2015). Descolonización metodológica e interculturalidad. Reflexiones desde la investigación etnográfica. Revista Latinoamericana de Metodología de las Ciencias Sociales, 5(2), 19p.
Rosemberg, F. (2014). Educação Infantil e relações raciais: a tensão entre igualdade e diversidade. Cadernos de Pesquisa, 44(153), 742-759.
Rosemberg, F. (1987). Relações raciais e rendimento escolar. Cadernos de Pesquisa, 63, 19-23.
Segato, R. (2005). Raça é signo. Série Antropologia, 372, 1-16.
Silva, F. (2017). Educação insubmissa: Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos (Monografia de Graduação). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
Silva, F. (2020). Escolas para quilombolas: identidade e territorialidade no Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos e na Escola Municipal do Campo Augusto Pires de Paula (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
Valverde, D., & Stocco, L. (2009). Notas para a interpretação das desigualdades raciais na educação. Revista Estudos Feministas,17(3), 909-920. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2009000300019
Walsh, C. (2009). Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir re-existir e re-viver. In: V. L. Candau (org). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas (pp. 11-42). Rio de Janeiro: 7Letras.
Woodward, K. (2014). Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: T. T. da Silva (org). Identidade e Diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais (pp. 7-72). 15 ed. Petrópolis, RJ: Vozes.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
1 Authors retain copyright to work published under Creative Commons - Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0) which allows:
Share — copy and redistribute material in any medium or format
Adapt — remix, transform, and build upon material
In accordance with the following terms:
Attribution — You must give appropriate credit, provide a link to the license, and indicate if changes have been made. You must do so under any reasonable circumstances, but in no way that suggests that the licensor endorses you or your use.
Non-Commercial — You may not use the material for commercial purposes.
2 Authors are authorized to distribute the version of the work published in this journal, in institutional, thematic, databases and similar repository, with acknowledgment of the initial publication in this journal;
3 Works published in this journal will be indexed in databases, repositories, portals, directories and other sources in which the journal is and will be indexed.
