Comunidade sem portas: imaginando o Cariri a partir de um bar de fim de noite
DOI:
https://doi.org/10.5380/cam.v12i2.30615Keywords:
bares, espacialidades, alegorias, anonimato, CaririAbstract
Em Crato (CE), encontra-se um bar aberto 24 horas. O "Guanabara" não tem portas, servindo bebidas e refeições o dia inteiro ao som de Altemar Dutra, Roberto Carlos e Nelson Gonçalves. Em 2010, o bar completou 52 anos de existência. Informados pelas contribuições de Bourdieu, Said e Foucault para pensar espacialidades como reapresentações calcadas em signos identitários, interessa-nos refletir como tais signos funcionam em lugares de confluência para grupos distintos e concomitância de gramáticas sociais. Para isso, recorremos a autores como Clifford e Bakthin, a fim de tencionar as imagens usuais do Cariri e do Nordeste com alegorias postas em ação nesse modelo de comunidade sem portas.
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