A paternidade no centro pela busca de outras masculinidades entre grupos de homens
DOI:
https://doi.org/10.5380/cra.v24i2.87792Keywords:
masculinidades, paternidade, parentalidade, gênero, grupos de homensAbstract
O presente artigo resulta de etnografia digital realizada por quatro meses em 2020 em dois coletivos de Whatsapp, formados exclusiva e espontaneamente por grupos de homens cuja origem geográfica é o Distrito Federal. Os grupos de homens têm emergido nos últimos anos no país enquanto espaços nos quais sujeitos, que se identificam e são identificados com o gênero masculino, se reúnem para debater a atual condição do ser homem, por vezes com o propósito de questionar e revisar modelos tradicionais de masculinidade. Na arena virtual, foi evidenciado que as questões da paternidade e do seu exercício, a parentalidade, estão entre as preocupações e os afetos centrais daqueles que buscam esses locais para compartilhar dilemas psíquicos e subjetivos de sua existência gendrada, revelando valores e representações ainda muito conservadores. O artigo apresenta momentos-chave onde essa discussão se desdobrou em temas, como: a função do pai na formação da masculinidade do filho; quem pode legitimamente preencher a função paterna; e, a subversão da paternidade desde a afirmação de outras identidades de gênero hoje. A discussão desse objeto de estudo será articulada com reflexões sobre o patriarcado no Brasil e a construção social das masculinidades.
References
Almeida, M. V. (1996). Gênero, masculinidade e poder: Revendo um caso do Sul de Portugal. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.
Ambra, P. (2021). O que é um Homem? Psicanálise e História da Masculinidade no Ocidente. São Paulo: Zagodoni.
Áries, P. (1981). História Social da Criança e da Família. LTC.
Badinter, E. (1992). XY Sobre a Identidade Masculina. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Belotti, E. G. (1975). Educar para a Submissão O descondicionamento da mulher. Rio de Janeiro: Editora Vozes.
Bly, R. (1991). João de Ferro Um livro sobre homens. Editora Campus.
Butler, J. (2003). Problemas de Gênero Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Butler, J. O parentesco é sempre tido como heterossexual? (2003) Cadernos Pagu (21): pp.219-260.
Connell, Raewyn. (1995). Políticas da Masculinidade. Educação & Realidade, 20 (2): 185-206.
Corrêa, M. Repensando a família patriarcal brasileira Notas para o estudo das formas de organização familiar no Brasil. (1981). Cad. Pesq., São Paulo, (37): 5-16.
Courneau, G. (2014). Pai Ausente Filho Carente. (2014). São Paulo: Manole.
Del Priore, M. (2009). Ao Sul do Corpo Condição feminina, maternidades e mentalidades no Brasil colônia. São Paulo: Editora Unesp.
Época. Casa de mãe solteira é “fábrica de desajustados”, diz Mourão. 18/09/2018. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2018/09/casa-de-mae-solteira-e-fabrica-de-desajustados-diz-mourao.html. Acesso em: 26/05/2022.
Ferraz, C. P. Alves, A. P. (2017) Da etnografia virtual à etnografia online: deslocamentos dos estudos qualitativos em rede digital. ANPOCS: Caxambu.
Ferraz, C. P. (2019). A etnografia digital e os fundamentos da Antropologia para estudos em rede on-line. Aurora: revista de arte, mídia e política. São Paulo, v.12, n.35, p.46-69.
Fonseca, C. (2004). A certeza que pariu a dúvida: paternidade e DNA. Estudos Feministas, Florianópolis, 12 (2): 264.
Foucault, M. (2002). Em defesa da sociedade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Foucault, M. (2014). História da Sexualidade Vol. 1 A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Freud, S. (2020). Luto e melancolia. LeBooks Editora.
Freud, S. (2013). Psicologia das massas e análise do Eu. L&PM.
Freyre, G. (2004). Casa Grande & Senzala. Global Editora.
Goffman, E. (2014). A representação do Eu na vida cotidiana. São Paulo: Vozes.
Goffman, E. (1981). Estigma Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. LTC.
hooks, bell. (2004). The Will to Change Men, Masculinity and Love. Nova York: Washington Square Press.
Kafka, Franz. (2004). Carta ao Pai. São Paulo: L&PM.
Kirjner, Daniel. (2016). Entre gênero e espécie: à margem teórica das Ciências Sociais e do feminismo. Tese de doutorado. Instituto de Ciências Sociais. Universidade de Brasília, Brasília.
Lacan, J. (2005). Nomes-do-pai. Rio de Janeiro: Zahar.
Laitano, C. (2020). Pai de todos Pai de ninguém: modelos de paternidade no período abolicionista. Nau Literária, vol.17, n.1.
Lauretis, T. (2019). A tecnologia do gênero. In HOLLANDA, Heloisa B. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.
Mesquita, Y. M., & Silva-Corrêa , H. C. (2021). A “Masculinidade Tóxica” em Questão: Uma Perspectiva Psicanalítica. Revista Subjetividades, 21(1), Publicado online: 24/03/2021. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i1.e10936
Pinho, G.S. (2020). Travessias da paternidade Um estudo sobre o pai e sua função na clínica e na cultura. Tese de Doutorado. Instituto de Psicologia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Roudinesco, E. (2003). A família em desordem. Rio de Janeiro: Zahar.
Segato, R. L. (1998). O percurso do gênero na Antropologia e para além dela. Série Antropológica. Brasília.
Segato, R.L. (2003). La economía del deseo en el espacio virtual: Hablando sobre religión por la internet. Las estructuras elementales de la violencia. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes.
Skageby, J. (2011). Online Etnographic Methods: Towards a Qualitative Understanding of Virtual Community Practices. Copyright IGI Global. Linkoping, Sweden.
Sleenes, Robert W. (2012). Na Senzala Uma Flor Esperanças e recordações na formação da família escrava. Campinas: Editora Unicamp.
Thurler, A.L. (2009). Em Nome da Mãe O não reconhecimento paterno no Brasil. Florianópolis: Editora Mulheres.
Thurler, Ana Liési. (2006). Outros horizontes para a paternidade brasileira no século XXI? Sociedade e Estado, Brasília, v.21, n.3, set./dez.
Trevisan, J.S. (2017). Pai Pai. São Paulo: Alfaguara.
Welzer-Lang, D. (2001). A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Estudos Feministas, 461.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
1 Authors retain copyright to work published under Creative Commons - Attribution-NonCommercial 4.0 International (CC BY-NC 4.0) which allows:
Share — copy and redistribute material in any medium or format
Adapt — remix, transform, and build upon material
In accordance with the following terms:
Attribution — You must give appropriate credit, provide a link to the license, and indicate if changes have been made. You must do so under any reasonable circumstances, but in no way that suggests that the licensor endorses you or your use.
Non-Commercial — You may not use the material for commercial purposes.
2 Authors are authorized to distribute the version of the work published in this journal, in institutional, thematic, databases and similar repository, with acknowledgment of the initial publication in this journal;
3 Works published in this journal will be indexed in databases, repositories, portals, directories and other sources in which the journal is and will be indexed.
