A emancipação da mulher rural por meio da Marcha das Margaridas
uma análise sob a perspectiva do evento de letramento crítico
Palabras clave:
mulheres em espaços rurais, Marcha das Margaridas, emancipação feminina, evento de letramento críticoResumen
A Marcha das Margaridas compreende um movimento político e social, realizado a cada 4 anos em Brasília, que põe em discussão a garantia dos direitos das mulheres do campo, das águas e da floresta. Em preparação para essa mobilização, eventos são promovidos em nível estadual e regional, de modo a conscientizar o público feminino sobre a importância da participação e das pautas reivindicadas. Nessa perspectiva, este trabalho objetiva analisar uma oficina regional em preparação para a Marcha das Margaridas 2023, realizada no interior do Rio Grande do Norte, sob a perspectiva das práticas e eventos de letramento crítico. Teoricamente, ancoramo-nos em estudos do letramento como prática social, sob uma perspectiva crítica (Street, 2014; Kleiman, 1995, 2005; Freire, 2001; Cassany e Castellá, 2010). Metodologicamente, o estudo se insere no campo das pesquisas em Linguística Aplicada (Moita Lopes, 2006) e adota abordagem de dados qualitativa (Bogdan; Biklen, 1994), com viés etnográfico (Chizzotti, 2006; Angrosino, 2009). O corpus de análise se constitui de observações de campo, de fotografias e de textos discutidos na referida oficina. Em termos de análise de dados, utilizamos as categorias propostas por Hamilton (2000). Como resultados, evidenciamos que as discussões realizadas durante a oficina a caracterizam como um evento de letramento crítico, na medida em que potencializam reflexões acerca das possibilidades de emancipação da mulher rural e as formas de enfrentamento à violência e ao sexismo.
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