Discurso jurídico, desenvolvimentismo e exclusão racial na sentença t-622 de 2016

uma análise crítica do reconhecimento do rio atrato como sujeito de direitos

Autores

Resumo

Este artigo apresenta uma análise crítica dos discursos (re)produzidos na sentença T-622, de 2016, por meio da qual a Corte Constitucional colombiana reconheceu o rio Atrato como “sujeito de direitos”.  O objetivo é descrever e analisar os recursos linguístico-discursivos e estratégias ideológicas utilizadas pela Corte Constitucional, na construção da decisão. Nesse sentido, questionamos a aparente imparcialidade do discurso jurídico e expomos as formas como no texto da sentença revela-se um imaginário racista em a representação e exclusão das comunidades étnicas que moram nas margens do rio Atrato. Da mesma maneira, mostramos que a suposta emancipação que a decisão produze não escapa a tensão ideológica entre a proteção ambiental e o desenvolvimento. Finalmente, desvelamos a polarização ideológica implicada na sentença, por meio da qual o Estado se posiciona como agente do desenvolvimento, o que produz efeitos no (in)cumprimento das ordens emitidas e na integridade do rio e as comunidades humanas e mais que humanas que moram nele.

Biografia do Autor

Camilo André Sierra-Pacheco, Pontificia Universidad Javeriana

Mestrando em Estudos Culturais pela Pontificia Universidad Javeriana de Colombia (Bogotá). Advogado. Integrante do grupo de pesquisa Conflicto y Sociedad da Universidad de Cartagena.

Solange Barros, UFMT

Docente do Departamento de Letras/Inglês, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT/Brasil). Coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisa Emancipatória em Linguagem/Nepel. Membro do Grupo Brasileiro de Estudos sobre Discurso, Identidade e Pobreza (CNPq), da Associação Latino-Americana de Estudos do Discurso (ALED), da Rede Latino-Americana de Análise do Discurso da Pobreza Extrema (REDLAD).

Referências

ANGULO BALLÉN, S. (Produtora); AMAYA RUEDA, D. (Diretora). Atrato envenenao: la huella del mercurio [documental]. Chocó: La Silla Vacía, 2023. Disponível em: <https://youtu.be/tbI42j0RkvQ?si=tuv0DrnXsM9nGfur>.

BARROS, S. M. Realismo crítico e emancipação humana: contribuições ontológicas e epistemológicas para os estudos críticos do discurso. Campinas: Pontes Editora, 2015.

COLARES, V. Análise Crítica do Discurso Jurídico (ACDJ): o caso Genelva e a (im)procedência da mudança de nome. ReVEL, vol. 12, n. 23, 2014. Disponível em: .

COLOMBIA. Corte Constitucional. Sentencia T-622-2016. Rel. Magistrado Jorge Iván Palacio Palacio, julgado 10 de novembro de 2016. Bogotá, DC. Disponível em: <https://www.corteconstitucional.gov.co/relatoria/2016/t-622-16.htm>. Acesso em: 02 abr. 2025.

CÁRCOVA, C. M. Las Teorías Jurídicas Post-positivistas. Buenos Aires: Abeledo Perrot, 2007.

EL ESPECTADOR. Fotos: Contaminado con mercurio, así se ve el río Atrato, pese a fallo judicial. Disponível em: <https://www.elespectador.com/judicial/fotos-contaminado-con-mercurio-asi-se-ve-la-el-rio-atrato-pese-a-fallo-judicial/>. Acesso em: 3 abr. 2025.

FAIRCLOUGH, N. Analysing Discourse. Textual Analysis for Social Research. London: Routledge, 2003.

FAIRCLOUGH, N. Critical Discourse Analysis. The Critical Study of Language. London: Routledge, 1995.

FRANCO M., A.; CASANOVA, V. Tema, Rema y Focalización: del Enunciado al Texto. Análisis de Títulos y Leads de Prensa. Quórum Académico, v. 3, n. 2, 28 jul. 2009.

GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, S. Temas, remas, focos, tópicos y comentarios. Madrid: Arco/Libros, 2000.

PARDO ABRIL, N. G. Cómo hacer análisis crítico del discurso. Una perspectiva latinoamericana. Bogotá: Editorial Universidad Nacional de Colombia, 2013.

QUIJANO, A. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. Em: LANDER, E. (Coomp.), La colonialidad del saber. Eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires: CLACSO, 2000, pp. 201-246.

SÁNCHEZ ZAPATA, D. C. El reconocimiento de la naturaleza como sujeto de derechos: una oportunidad para repensar la planeación del ordenamiento territorial como función administrativa. Revista Derecho del Estado, n. 54, p. 87–131, 28 nov. 2022.

SIERRA PACHECO, C.A. Análisis de la representación discursiva de la naturaleza y los actores sociales en la sentencia T-622 de 2016 de la Corte Constitucional Colombiana. Monografia (Programa de Graduação em Direito) – Universidad de Cartagena, Cartagena de Indias, 2024.

THOMPSON, J. B. Ideologia e cultura moderna. Petrópolis: Vozes, 2011.

VAN DIJK, T. Discurso y contexto: un enfoque sociocognitivo. Barcelona: Gedisa, 2012.

VAN DIJK, T. Estudios Críticos del Discurso: Un enfoque sociocognitivo. Discurso & Sociedad, 10(1), 137-162, 2016.

VAN DIJK, T. Ideología y discurso. Barcelona: Ariel, 2003.

VAN DIJK, T. Ideología. Una aproximación multidisciplinaria. Barcelona: Gedisa, 2006.

WOLKMER, A.C. Teoría crítica del derecho desde América Latina. México: Akal, 2017.

Downloads

Publicado

2026-02-24

Como Citar

Sierra-Pacheco, C. A., & Barros, S. (2026). Discurso jurídico, desenvolvimentismo e exclusão racial na sentença t-622 de 2016: uma análise crítica do reconhecimento do rio atrato como sujeito de direitos. Revista X, 20(01), 199–220. Recuperado de https://ojs.homologa.ufpr.br/revistax/article/view/99216

Edição

Seção

Linguística Aplicada indisciplinar: (des/re)construção de significados e trajetórias multissituadas